Rodrigo Alonso. Espanha. 1982. Licenciado em Belas Artes. Estudante de Comunicação Audio-visual.

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IMAGENS
 

Desde que comecei a estudar Belas Artes desenho em cadernos. Mas não sou consciente do Diário Gráfico como tal. Desde há um ano comecei a conhecer o círculo e/ou comunidade que havia de desenhadores sobre cadernos. Foi por volta de 2008. Para mim tem sido um ponto de união, de reflexão e um motivo mais para explorar este formato artístico.

Quando revejo os meus cadernos trazem-me à memoria recordações que estavam aí guardadas. É como abrir uma porta da tua vida que estava fechada, de repente surgem uma multidão de evocações já passadas. O caderno é um baú onde tudo está guardado e floresce quando o abres. Por isso o caderno é algo muito pessoal, intimo e que faz parte de mim. É uma manifestação da tua vida quotidiana donde voltas a recuperar o passado. Tanto que às vezes se tem convertido em nostálgicamente perigoso.

Tenho cadernos de desenhos mas, quando viajo fora, tudo é capaz de me surpreender, e não gosto de ser dogmático com nada. Por isso os meus cadernos são um armazém não só de desenhos mas de qualquer coisa que me chame a atenção: fotos, etiquetas, autocolantes, etc.

Agora no meu dia a dia, levo sempre comigo um caderno pequeno e uma caneta, para apontar notas e desenhar em qualquer momento. E se vou viajar, consciente de que vou passar momentos dedicados ao desenho, levo um caderno maior e encho a minha mochila de material: canetas, marcadores, lapizeiras, pincéis e aguarelas.

Os meus cadernos são muito variados, porque não sou muito purista em relação às técnicas. Utilizo qualquer material e encanta-me descobrir e conhecer novos. Também gosto de variar os tamanhos e a qualidade do papel. Às vezes fabrico-os outros compro-os. Tudo me obriga a procurar outras soluções. Por isso, às vezes, é o caderno que impõe começar tudo do zero.

O caderno, para mim, é uma disciplina, um exercício, uma motivação para estar activo e o que importa é fazer, fazer para melhorar. O desenho é algo inato em mim, mas agora começo a escrever para descrever o desenho. Ajuda-me a pensar e a preocupar-me por procurar as palavras adequadas. Isto surge em simultâneo com a edição no blogue.

O caderno também faz amigos, já me aconteceu estar a desenhar e alguém aproximar-se e entabular conversa, admirar o meu trabalho e surge o inesperado, que é o que condimenta a vida.