Ana Marta Huffstot. Portugal. 1987. Arte Multimédia


IMAGENS
 

Cadernos de desenho são objectos banais. Vendem-se em qualquer papelaria com várias formas e feitios. São utilizados de diversas maneiras, para registar ideias, rabiscar, fazer exercícios, entre outros. Devido à extensão deste assunto, não consigo falar dele sem analisar a minha própria experiência com diários gráficos.

Comecei por desenhar num caderno por obrigação. E confesso que, como não foi uma ideia que partiu de mim, estava bastante atrapalhada e não conseguia perceber o que era pretendido, nem a sua utilidade.
Ao fim de algum tempo, a necessidade de eu ter um caderno que fosse só meu, onde pudesse apontar os meus pensamentos e fazer os meus rabiscos, nasceu.

O meu maior motivo para querer ter um caderno foi a minha necessidade de querer evoluir no desenho. Obriguei-me a fazer “exercícios” – fazer pelo menos um desenho por dia. Apesar deste começo muito mecânico e metodológico, o facto de poder desenhar longe dos olhos daqueles que desenhavam melhor que eu, e longe das críticas dos professores, deu-me confiança para melhorar e avançar nesta matéria. Durante muito tempo os diários gráficos funcionavam, de facto, como um “diário” privado. Só mais tarde tive confiança suficiente para o mostrar a mais pessoas.

Hoje, para mim, o diário gráfico é um hábito, companheiro, essencial. Ainda recorro a ele como método de ensino auto-didáctico, onde exercito o que sei, o que não sei e o que quero saber melhor. Porém, já não é com a rigidez metódica com que comecei. Levo-o sempre comigo e quando algo me desperta o interesse sei que ele está perto, sempre pronto a recolher a informação. Continuo a tê-lo como algo privado mas, também, como algo que quero partilhar.

Estes pequenos objectos abrem as portas para um mundo só nosso, fora do alcance dos outros. Dão-nos possibilidades de ver a nossa própria evolução, de fazer os nossos próprios estudos, os nossos próprios jogos. Estamos livres da vergonha e das críticas alheias. Cada folha em branco é um incentivo à criatividade e à nossa liberdade de expressão.