Luís Ançã. 1955. Artista Plástico e Professor.

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IMAGENS
 

Meu pai era pintor e tinha o seu atelier em casa, chamávamos-lhe a «casa das tintas». Desenhar e pintar sempre foi uma coisa natural.
O meu trabalho é diário; o registo gráfico, nem sempre. O meu processo de trabalho passa por vezes por períodos de reflexão. No entanto quase todos os dias um qualquer desenho aparece num qualquer suporte. Mesmo qualquer. Também a diversificação dos materiais usados é uma constante.
Desenhar ou pintar com materiais desconhecidos, inventados, improvisados torna-se não apenas uma aventura bem como um desafio, porque nos obriga a encontrar novas soluções e, inevitavelmente a obter novos resultados. Que podem ser experimentados noutros contextos. E assim também se enriquece a expressão.
Não tenho o hábito de utilizar os desenhos do dia a dia como esboços para a pintura. O desenho espontâneo é, tal como a pintura, um produto final. Mesmo tratando-se de trabalhos descomprometidos, de registo rápido.
Um dos aspectos fascinantes é poderem ser feitos em qualquer sítio, descontraidamente. As pinturas e os desenhos mais trabalhados e de maior dimensão acabam por se desenvolver no laboratório, naquela atmosfera do atelier, onde os residem os materiais e as musas.
Muitas vezes o meu filho também me acompanha, porque também gosta muito de desenhar. Assim, aprendo principalmente a não perder a espontaneidade.