Stephan Balkenhol. Alemanha. 1957. Escultor

IMAGENS
 
“Imagens Resgatadas do Atelier” (excertos) de. Miguel Fernández-Cid do livro “Archiv -Archives. Desenhos e Fotografias de 1977-2000” de Stephan Balkenhol. 2001. Centro de Arte Contemporânea. Santiago de Compostela

Tradução livre do galego


Abrir o diário de um escritor é enfrentar o seu lado mais humano. É fácil pensar que no relato de factos quotidianos perde tensão o mistério que supomos que rodeia um criador. O difícil, sem dúvida, é sentir que o narrado não são factos mas uma maneira de olhar, uma olhada que nos descobre, revela-nos ante nós. Não é tanto um exercício ególatra
(“O diário é a cobardia do escritor, é o cume da superstição literária, do cálculo sobre a posteridade. Para outros é a maior avareza, não desejar que nada se perca”, escreveu no seu Pierre Drieu La Rochelle) mas a necessidade de lançar peguntas a si próprio. “O ingrato papel dos criadores consiste em oferecer ao mundo uma coisa que a ninguém ocorreria pedir mas que, uma vez recebida, nada poderia rejeitar” (André Lothe).

Muitos artistas expressam as suas reflexões em forma de diário, mas dando-lhe um sentido mais anárquico, menos sistemático que o que pede o rigoroso passo dos dias. Visitar os seus ateliers é um modo eficaz de descobrir as suas obssessões, as suas dúvidas, as suas manias, as suas recorrências, mas também o ânimo que os sustenta. Ao atelier limpo corresponde uma escrita minuciosa, sem dúvida mais regular que a que pedimos a quem cria a partir duma excessiva tensão, ele é propenso à impulsividade e interrupções na escrita.
A reflexão escrita segue sempre um modo activo de prolongar o pensamento plástico. A tensão vai da imagem à palavra, uma palavra a que se oferece a convivência com o poético. Quando as imagens cedem o controlo, a execução torna-se mais difícil.

Stephan Balkenhol é um dos poucos escultores que mantiveram o pulso do figurativo nos momentos da absoluta severidade crítica, desde os anos setenta. Nas suas esculturas consegue um surpreendente equilíbrio entre o peso dos materiais e a sua leveza perseguida, entre a acção directa e o cálido resultado final, entre o compromisso contemporâneo e o afecto até soluções mais clássicas. Ao expôr junto às esculturas, séries de desenhos lineares, de traço solto, com aparência rápida. Desenhos dinâmicos que insistem no seu interesse por alhearem-se dos relatos fechados, por insinuar relações possíveis ante as quais o espectador deve reagir: “As minhas esculturas não contam histórias. Nelas há algo secreto. Não me compete a mim revelá-lo, mas ao espectador descobri-lo”.