Nuno Branco. Arquitecto. Jesuíta.

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IMAGENS
 

A primeira vez que desenhei num diário gráfico foi em 1996 numa aula de desenho da faculdade de arquitectura. Recordo-me ainda daquele desafio, de registar desavergonhadamente momentos do dia, sem mais motivos para o fazer. Simplesmente registar. Aprender. Criar hábitos.
Depois de terminar Arquitectura não voltei aos desenhos. A vida dá voltas e os desenhos também. Anos mais tarde já como arquitecto, decidi que queria ser jesuíta e nos primeiros anos retomei este gosto esquecido pelo desenho. Tenho especial gosto pelo retrato e pela pintura de aguarela. Percebi que o desenho é uma ocasião privilegiada para, aquilo que eu chamo de higiene interior. Libertar e recuperar energias acontecem nos meus desenhos, especialmente aqueles que são feitos de maneira desavergonhada, ou seja, diante de outras pessoas, em lugares públicos, transportes, viagens etc.
Embora, me sinta iniciante neste hábito de desenhar compulsivamente, a verdade é que não deixo de procurar e descobrir as novas técnicas e experiências do desenho. Não só do ponto vista material como também do enquadramento do registo. Ou seja, procurar registar com novidade uma situação diária perfeitamente comum.
Diria ainda, que o desenho para mim tem sido como que tirar fotografias com um caderno e com a caneta preta, procurando tirar proveito e gozo do formato dos cadernos, da textura e espessura do papel e descobrir aí as diferentes velocidades do desenho.
Aprecio o traço livre e despreocupado e para tal tenho experimentado desenhar de memória, com a mão esquerda e em andamento. Estes exercícios de traço livre ajudam-me a despreocupar-me com o resultado final do desenho e experimentar que a maior motivação para os fazer não é pensar que serão publicados mas que se trata, primeiro, de um gesto individual para gozo e satisfação próprios.