Sara Brandão.1986. Estudante de arquitectura

IMAGENS
 

Durante os meus percursos e deambulações, utilizo os meus diários gráficos como centros cartográficos de bolso.
Neles vou registando os diferentes pontos geográficos das cidades por onde passo, através da representação dos seus espaços, edifícios e pessoas. Deste modo construo os meus mapas.
Filtrados pelas escolhas que faço dos lugares que cruzo, estes mapas são compostos pelos registos das sensações que esses lugares provocam em mim e pelos diferentes olhares e análises que acompanham as minhas viagens.
Através dos meus diários gráficos as cidades deixam de ser uma sucessão desordenada de ruas, construções e pessoas, ganhando um novo sentido, através do processo de compreensão que se realiza no desenho dos lugares.
A cartografia individual que vou desenhando não é decifrável por qualquer pessoa, pois traduz um olhar pessoal e um conjunto de experiências específicas. Estes cadernos que transporto comigo obrigam-me por um lado a estar mais atenta ao que me rodeia e por outro a parar, deixando o tempo correr paralelo por alguns instantes. Perante o incompreensível, o desenho devolve um mundo cosmificado. O que resulta deste processo são mapas psicogeográficos.
Enquanto estudante de arquitectura, o meu olhar está intensamente focado em situações espaciais e arquitectónicas. Assim, o desenho de bolso torna-se um instrumento de pesquisa e de compreensão das questões especificas da disciplina da arquitectura, com as quais me cruzo, em qualquer lugar por onde passo.

Sara Brandão
30 / 6 / 2007