Fernando Brazão. Portugal. 1973. Artista Plástico. Comerciante

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IMAGENS
 

Suponho que tudo começou em pequeno, com cadernos e cadernos cheios daquilo que eram as minhas visões febris de infância (monstros fantásticos, filmes na televisão, etc), em lápiz ou canetas de feltro (nunca lápiz de cor), passando pelas margens de tudo o que era documento escrito, durante o liceu, até à necessidade de ter onde tirar notas e, obviamente, de rabiscar ao telefone ou até fazer um desenho.

Mais tarde, avançando um pouco às cegas (ou talvez não), foram surgindo trabalhos de pintura, sempre bastante elaborados, e esses foram sendo assistidos por volumes já maiores (22x12cm), que passaram a andar comigo para todo o lado.

Neles são anotadas coisas que tenho de fazer (trabalho, quotidiano, ideias), alguma referência rápida que apareça na televisão ou numa revista, desenhos ao telefone, desenhos mais elaborados, alguns registos de sonhos (feitos meio a dormir), e coisas que vão para o lixo e eu tenha pena, como papéis rasgados, o módulo do dia, etiquetas, etc. Fui juntando cor na forma mais bruta e rápida possível, (lápiz de cera de aguarela da caran d’ache) e no fundo, o espírito tem sido basicamente saturar o mais possível estas páginas (que podem até durar mais anos que eu) com fragmentos do meu quotidiano.

Para além, é claro, de uns momentos agradáveis à noite a encharcar rapidamente a última página preenchida.