Ana Cardoso. Artista Plástica. 1980. Porto.

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IMAGENS
 

Gosto de cadernos, de papéis, de sentir-lhes o toque e cheiro. Este gosto, aliado à necessidade do desenho faz com que exista sempre espaço físico e mental para me fazer acompanhar de um. Não os entendo como trabalho, antes como ferramenta, como ponto de partida para a pintura. Existe em mim, o caderno de viagem (que me acompanham desde que lembro, onde não existe apenas desenho, mas colagem de bilhetes de metro, de museus, restaurantes); o diário de carteira, este mais associado ao desenho do quotidiano, o desenho que vai directamente do que se vê para a mão, e as palavras que por vezes o complementam e ainda o diário enquanto folhas soltas. Todos eles existem como reportório de ideias do dia-a-dia, funcionando como espécie de arquivo, quer do que me agrada e motiva na observação no quotidiano, quer como materialização das ideias que surgem.

Agradam-me, em especial, os suportes com informação. Desenhar sobre um caderno quadriculado, de linhas, pautas musicais, jornais, flyers e muitos outros não será nunca o mesmo que fazê-lo sobre uma página branca. O diário tem um carácter de exploração de materiais, de débito de ideias, de experimentação que por isso o transforma em algo íntimo. Depois existem as imagens, as fotografias, a palavra, a colagem. Todos eles fazem parte dos meus diários. E como existe uma clara distinção entre os vários tipos de diário que uso, criei um blog mais global, que traduz essa diferença: http://diariosanacardoso.blogspot.com.