Javier Chavarría. 1966. Espanha. Artista plástico, cenógrafo e professor universitário

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IMAGENS
 

Ontem abri o caderno da minha viagem a Itália.

Recordo que o levava sempre, e quando gostava de algo desenhava-o. Escrevi nele histórias, ideias, copiei cuadros ou pintei paisagens. A minha memória não é tão persistente como as páginas deste caderno que me faz recordar melhor, ainda que no fundo não se trata de fazer fotografias do lugar, não é isso; se a evocação da experiência depois é tão nítida, não é só pela imagem em si, é mais pelo tempo que dedico a fazer o desenho; como se apreendesse as coisas de memoria à força de olhá-las muito. Realmente, como se compreendesse por fim o caos que tenho à minha frente, depois de olhá-lo com calma.

Passei as páginas, e os monumentos de mármore com aguarela, alternam com desenhos de esplanadas, as ruinas impressionantes de outras civilizações antigas, dormem seu sonho de milhares de anos entre o tráfico populoso de vespas que se cruzam. No caderno, o brilho das páginas douradas com recortes, selos e bilhetes de entrada nos museus, guardam as horas de calma da viagem e a verdadeira comunhão com o lugar, mais que o instantâneo ou o postal.

Viajar com o caderno e a caixa de aguarelas é medir doutra maneira o tempo da viagem, e viajar mesmo.