António (Tózé) Coelho nasceu há 38 anos em Barcelos. 

IMAGENS
 

Design gráfico, fotografia e aplicações web e multimédia. Como são áreas tão diversificadas, uso a denominação do CAE. Em part-time sou Guia de Alta Montanha da Papa-Leguas.
A arte e o desporto acompanham-me desde a infância, numa simbiose indissociável. Nas montanhas que escalo encontro a energia e a paz necessárias para a vida. Os rápidos esquissos e fotografias expressam locais extremos que considero “não lugares”.  Se a montanha mudou a minha vida, as montanhas do Himalaya voltaram a mudar, colocando-me perante o maior desafio de todos: o da minha própria vida. Considero-me um desenhador e escalador compulsivo. Obrigações de prazer, coordenadas de vida.  

Desenhar para mim é compulsivo, desde a infância.
Desde os cadernos da primária até ao final da faculdade, sempre foram os meus locais de experimentação e fantasia - considero-os buracos espaço/temporais, que me permitem viajar para locais longínquos ou imaginários, mesmo não saindo do lugar...
Para os que me conhecem e partilham algum tempo no café ou restaurante comigo, conhecem o meu vício de desenhar constantemente nos guardanapos ou toalhas de papel enquanto conversamos... quase nunca os guardo, a não ser que algo me ligue a eles, são éfemeros, locais de passagem num momento.
Tenho dois tipos de diários gráficos:
Os cadernos de trabalho, muito desorganizados, são apontamentos, ideias, colagens, reuniões e, claro, sempre desenhos por todo o lado, sem ligação entre eles.
Os Diários de Viagem, pelo contrário, são cada vez mais organizados, e dizem respeito a cada viagem, mesmo que o caderno não fique completo...
A minha actividade desportiva, desde final dos anos 80, está ligada á escalada, ( passei o final da Juventude a escalar pelos Pirinéus e Alpes, enquanto os meus amigos ficavam na Praia) e posteriormente á Alta Montanha (actualmente Guio actividades em Montanha, para a Agência Papa-Leguas, o que me permite viajar com regularidade com clientes fantásticos, para locais de montanha, como o Caucaso, na Rússia ou simplesmente para os Pirinéus), pelo que sempre tive de Viajar para conhecer as Montanhas e me deu o curriculum necessário para enfrentar desafios maiores.
Só em 2003, no entanto, quando o meu amigo João Garcia (1º Alpinista Português a escalar o Everest), me convidou para integrar a 1ª Expedição Portuguesa ao Himalaya, é que dei realmente valor a levar um Diário: queria registar tudo o pudesse pois estava num local de sonho e se calhar nunca mais lá voltava...
Desta Expedição ao Pumori, ficaram registos escritos e desenhos feitos em Altitudes acima de 6000 m no ano das comemorações do 50º da primeira Expedição ao Everest.
Claro que, depois de se viajar para o Nepal e escalar nas montanhas mais altas do mundo, fazemos de tudo para regressar, e assim foi em 2004, lá estava eu outra vez com o João e outros companheiros para Escalar o Amadablam, uma das Montanhas mais belas do Planeta e dificeis também.
Também aqui o Diário me acompanhou e, apesar das condicionantes de Altitude, sempre regressei com mais desenhos.
A Expedição ao Kangchenjunga (3ª Montanha mais alta da Terra) aconteceu naturalmente em 2006, devido aos projectos desenvolvidos anteriormente no Himalaya, novamente a convite do João e apoiado pelo seu patrocinador.
O Diário gráfico mudou de formato e usei os Moleskine mais pequenos - e mais práticos nestas andanças.
Nesta Expedição, comecei por desenvolver um projecto pessoal de estudo e investigação, sobre o efeito da Hipoxia ( falta de Oxigénio devido à altitude) na representação pictórica em grande altitude, mas uma apendicite a 6100m, frustou os meus  objectivos, desde então ainda não regressei ao Himalaya...  
Ao rever cada desenho, desloco-me para essas viagens, sinto os cheiros, os medos, as paisagens, as pessoas e os prazeres desse momento...
Desenho o que sinto e nas Montanhas sinto o que realmente Sou...Livre!