Filipe Franco. Portugal. 1968. Desenhador Científico

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IMAGENS
 

Nasci em Lisboa e os meus primeiros meses foram vividos em Sintra. Cresci entre o Rio Sado e a Serra da Arrábida. Sou formado em Design Gráfico pelo Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing de Lisboa e em Ilustração Científica pela University of California, Santa Cruz. No momento em que tomei conhecimento das inúmeras possibilidades de comunhão entre a Arte e a Ciência, resolvi mergulhar nesse campo de interacção e neste momento estou a explorar áreas de aplicação artística às ciências antropológicas.

A importância na aquisição de uma prática diária de desenho foi-me transmitida há vinte anos, aquando do início da minha formação artística. Diário Gráfico foi o nome que deram ao pequeno caderno de folhas brancas no qual deveria, por definição, apontar diariamente ideias e impressões através de registos gráficos e pictóricos. Anos mais tarde o Prof. Pedro Salgado, que me iniciou na Ilustração Cientifica, adicionou a esse conceito a importância da recolha de informação susceptível de ser aproveitada posteriormente em projectos finais, chamou-lhe Caderno de Campo.

Pessoalmente, prefiro chamar-lhe Caderno de Esboços. Nele colecciono momentos congelados no tempo e locais que mais tarde revisito. Nele aqueço a mão antes de iniciar um projecto mais rigoroso e aponto os estudos das minhas mais recentes pesquisas, fazendo dele também um Caderno de Estudo. Este precioso objecto alberga pequenos tesouros sob a forma de desenhos e pinturas que não sendo diários, confesso, são quase sempre intencionais. Desta forma posso afirmar que poucas folhas foram alguma vez desperdiçadas, embora várias já tenham sido testemunhas de momentos de frustração difíceis de “engolir”. A escolha de motivos pode apresentar-se problemática nos momentos em que pego no Caderno sem a “tal” intenção já pré-definida. Sempre achei extraordinárias as pessoas que chegam, sentam e começam imediatamente a esboçar o que está à sua frente. Eu fico muito tempo a observar e a escolher exactamente aquele bocadinho que me impele a iniciar o registo. Nunca me senti seduzido pela representação de grandes paisagens naturais ou urbanas, antes procuro os pormenores ou até pequenas colecções de temas. Neste momento como me tenho debruçado mais sobre o estudo do rosto humano, o meu último Caderno de Esboços está cheio de pequenos retratos e estudos anatómicos. A escolha dos materiais e expressões gráficas são tão variados quanto os tópicos, no entanto tenho uma predilecção pela Tinta-da-china, Aguarela e Lápis-de-cor. Não tenho nenhum tipo de caderno recorrente e normalmente vou variando conforme me vou saturando de um determinado formato. Depois de vários Moleskine começo a sentir a necessidade de ter mais área útil para os meus esboços. Isso aliado a uma vontade de usar folhas de diferentes gramagens, cores e texturas são razão para voltar ao sistema da Komtrak, o qual me permite construir o meu próprio Caderno de Esboços.

Hoje não foi dia para esboços, amanhã?...talvez.