José António Galvão. Financeiro. 1969

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IMAGENS
 

O desenho em cadernos permite-me, não só melhorar a memória e acuidade visual e a capacidade de observação, como constitui um momento de relaxação da rotina e ansiedade da actividade financeira onde exerço funções.

A única disciplina a que me imponho é a do exercício de um desenho por dia, preferindo a espontaneidade e expressividade das formas das pessoas, à geometria dos prédios ou amplitude das paisagens. Prefiro os fragmentos, a síntese, as linhas imperfeitas, rápidas e indefinidas dos esquissos, despreocupado com o resultado final e raramente tenho oportunidade, motivação ou vontade, para demasiados detalhes ou para assumir maiores compromissos, daí também a monocromia das minhas composições.

O registo em cadernos, como testemunho de um percurso e para memória futura, também permite o culto e fascínio da curiosidade, do voyeurismo, pelos bens pessoais que revelam a personalidade de cada um. O nosso rosebud, como alguém disse, aquele pequeno nada que nos trai revelando-nos aos outros. Uma vez que “o essencial da vida consiste no inefável.”