Rui Lacas. Portugal. Desenhador de Banda Desenhada

IMAGENS
 

Conversa gravada

Qual é a definição de Diário Gráfico?… é uma forma de registarmos as nossas ideias. O nome diz tudo, é um caderno que nos acompanha todos os dias. O material é um qualquer, é o que vem à mão, ou o que consigo arranjar quando saio do atelier, mas quando posso escolher, escolho uma grafite, uma lapiseira, ou canetas. De uma forma muito livre, é um caderno que te acompanha, onde registas as ideias, onde podes… desenhar à vista alguém ou ninguém em particular. No caso desta história (da Filha do Caranguejo) a personagem até sou eu próprio (bastante melhorado).

Fui para a Zambujeira passar uma temporada. Ía fazer uma história, mas sem encomenda nenhuma. Estava fora do meu meio ambiente, era mais fácil então o Caderno Gráfico; funcionou como um mini-estúdio. Estúdio ambulante que te permite ser criativo o dia todo. A história aparece a partir de uma ideia, e as imagens, por vezes, surpreendem a história e ela vai mudando.

Começa, talvez, por ser uma moda, especialmente para a malta das Belas-Artes, e depois transforma-se num hábito, havendo uma evolução da pessoa, o diário gráfico começa a fazer parte da pessoa, isto numa perspectiva…idílica.

O Diário Gráfico é como uma companhia. Já me aconteceu estar em casa a trabalhar, por exemplo, este verão, estava a trabalhar na Filha do Caranguejo, às três da manhã,e apetecer-me sair, beber um copo. Fui ao Lux e acabei por passar o tempo todo nas escadas a escrever no Diário, completamente às escuras. Até numa discoteca o Diário Gráfico tem utilidade, é uma companhia, pode-se até dialogar.

Às vezes para se desenhar, observa-se, outras vezes é-se observado, é um factor de socialização. É uma maneira de estarmos sózinhos sem nos sentirmos tão isolados. É uma questão psicológica, claro.

O Diário Gráfico é uma sebenta, é onde se começa a registar os dados de um projecto. Pode ter tantas definições… é um caderno com folhas em branco onde cabe lá tudo. Sentes-te muito mais liberto, porque podes experimentar tudo, a todos os níveis, é muito intimista e podem-se fazer coisas fabulosas.