Lucile Dubroca. França. 1966. Arquitecta Paisagista
IMAGENS
 
Conversa gravada

1.Compro um caderno no princípio da viagem. De preferência já no sítio. Costumo trazer um pequeno conjunto de lápiz, tintas, postais, aguarelas, etc…. Uma coisa pequena, fácil de transportar em todos os lados.

Eu vou desenhando em momentos mais calmos do dia. Como por exemplo, de manhã antes de sair, ou quando se descansa no meio de uma visita ou de um passeio.

Normalmente no princípio desenho menos, sou mais preguiçosa, mas depois apanho o ritmo. Faço dois ou três desenhos por dia. Escrevo também um bocado, mas mais quando viajo sózinha.

Misturo várias técnicas, uso tudo que tiver no estojo. Às vezes, à noite, faço retoques, completo o acabamento do desenho com colagens de coisas encontradas nos jornais, na rua, papéis de embrulho, fotos, … Uso também frottage, máscaras, impressões. Registo muitas vezes paisagens, peças de arquitectura, objectos na paisagem (pontes, diques, estradas, …) ou grupos de objectos. Muito mais raramente desenho pormenores.

2.Como eu trabalho com a paisagem, desenhar é uma boa maneira de perceber o espaço em três dimensões. Ajuda-me também a treinar o gosto do desenho, que é importante no trabalho de projecto. É uma maneira mais profunda e fiável de recordar certas composições de elementos, cores, volumes e sombras. O desenho dá para exagerar a parte da cena que parece ter mais importância para mim. Ajuda, também, a ser mais atento, a olhar com outra atenção e perceber o que sobressai.

É também uma maneira diferente de me integrar na paisagem, de me fundir um bocado nela e de perceber o seu ambiente. O que também é importante para o meu trabalho de projectista.