Helena F. Monteiro. 1946. Professora.

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IMAGENS
 

Não tendo formação académica nesta área, o desenho e a pintura, desde sempre, povoaram a minha imaginação. Já no Liceu a disciplina de Desenho era uma das minhas favoritas o que a caderneta escolar (vale o que vale!) ainda atesta, apesar de, nessas notas, se ter de descontar a “ditadura” do compasso e do tira-linhas que eu dominava em tracejados impecáveis!

Só recentemente, aí há uns 8 anos, voltei a pegar no lápis, nas tintas e na paleta de cores em que sempre me perdi. Fiz alguns pequenos cursos mas, curiosamente, desde o primeiro dia, sempre pensei que tudo isto tinha apenas um objectivo – os desenhos ou aguadas que pudesse trazer das minhas viagens. Delas coleccionava os meus diários que escrevo desde criança, os vídeos e as fotografias; só que estas últimas começavam a devorar-me o espaço e a digitalização ainda vinha longe... Comecei, então, a interrogar-me se um pouco de trabalho não poderia solucionar o problema da falta de “jeito” e, parece que, sem o saber, estava a aproximar-me da concepção actual do desenho.

Quando descobri os diários gráficos de grandes mestres do passado, especialmente Turner e Delacroix, pus de lado a preocupação com o “jeito” e aventurei-me nessa experiência que, ainda hoje, é um oásis de descontracção e paz no frenesim da vida contemporânea.

Das minhas viagens, hoje pouco mais trago para além das palavras que sempre me acompanharam e dos desenhos e aguadas que vou fazendo nos escassos minutos que consigo “roubar” aos que me acompanham . A partir desta experiência, mantenho um diário gráfico onde vou registando o meu quotidiano e a sua envolvência transpostos depois para o blogue entretanto criado e que me levou à descoberta de pessoas com quem comungo desta emoção e que muito me têm ajudado a complementar a minha aprendizagem através da observação do que fazem, como fazem e das dicas e ensinamentos que tenho tido de companheiros deste percurso a quem publicamente agradeço.

Deixo, ainda, um poema que escrevi quando me lancei nesta aventura:

OLHANDO OS DESENHOS QUE NÃO FIZ

Perdi o tempo nos compassos
nos traços que não ousei
sobram as fotografias
- demasiado puras e estáticas –
dos sentimentos nem o erro
ou do olhar o prazer.