Pascal Poulain. França. 1969

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IMAGENS
 

Eu desenho em pequenos cadernos Moleskine.

Desde criança que nunca mais larguei os meus lápis de cor e sempre rabisquei por todo o lado. Comecei por ter um diário escrito, mas não me satisfez. Vendo certos desenhadores notáveis (como Joann Sfar e seus cadernos, Pascal Tessier ou Michel Longuet) achei que era bom tentar desenhar tão depressa como escrever.

Então comecei a treinar nos cadernos. Estes tinham um lado prático. Os desenhos eram centralizados no mesmo lugar: nos cadernos. Depois apareceu o poder de evocação destes cadernos. Basta-me rever os meus pequenos desenhos para mergulhar integralmente naquela sensação. Do mesmo modo e rapidamente apareceu o factor de preservação dos cadernos. Apercebi-me que a maior parte das lembranças que tinha, dependia em grande parte da electricidade. Que nos permite visualizar fotografias tiradas por aparelhos tão perfeitos. E perdi bonitos desenhos feitos no computador a cada mudança de novo material. Além de que enquanto num museu ou num templo japonês as máquinas fotográficas são proibidas, os cadernos adquirem todo o sentido.

E são uma arma maravilhosa contra o tédio! Nunca mais me senti aborrecido. Nos momentos livres tiro o meu caderno e uma caneta e esboço o que tenho diante dos olhos.