Rui Horta Pereira. 1975. Évora.

IMAGENS
 

De caçador de ideias a angariador de espontaneidade

Na história dos “cader-ninhos” de rabiscos existem várias definições e apesar de os argumentos se distinguirem, existe uma abordagem que lhes atribui características de obra aberta.

É nessa definição, que enquadro a faceta dos “cader-ninhos”. Registo que pode ser diário, mas não ser obrigatório, registo que pode ter pressuposto, mas não ser obrigatório, registo que pode estar limitado a um riscador, mas não ser obrigatório, registo que pode ser à vista, mas não ser obrigatório.

A opção, a pesquisa “cader-ninhos”, ao invés do que o nome pode suscitar, é de uma importância fulcral no meu trabalho. É no sentido em que, o permanente estado de abertura permite, uma espontaneidade e liberdade que em mais nenhum momento é tão intensa.

Os “cader-ninhos” situam-se num limbo, são um acto transitório, por vezes sem qualquer definição aparente. Estão votados a um inacabamento, sendo que esse é concerteza o seu padrão mais genuíno, que absorve e responde como algo vivo. A sua mutabilidade é uma prova de existência e uma garantia de criação.

RHP 2010