Rita Cortez Pinto . Portugal. 1977. Artista Plástica

IMAGENS
 
Processo, construção e colecção de ideias, desenhos e palavras. Experimento papéis de vários tamanhos e espessuras, mas há sempre um ao qual volto, o tamanho perfeito com o branco ideal onde as minhas canetas e lápis riscam melhor.

O Diário Gráfico funciona como uma caixa portátil perfeita onde arrumo ideias, junto desenhos e referências. Quando me perco procuro na caixa. É quase como um órgão exterior ao corpo onde vou registando, riscando ou colando imagens, desenhos e palavras. Tudo coisas para não esquecer, mas que se juntam naquelas páginas e constroem um pequeno mundo paralelo ao meu trabalho. Paralelo, mas com curvas e cruzamentos por e com universos vizinhos. Paralelo, mas que o sustenta e complementa.

Mas depois viro a página e no espaço branco tento pensar riscando. Trabalho uma ideia, ginastico a mão, observo uma forma. Exploro os lápis e canetas, para experimentar e descobrir modos de riscar novos, de abordar o papel e que depois posso levar para os meus desenhos. Descontraio e concentro-me. Ou então colo uma imagem para fixar, para trabalhar e transportar para o meu universo.

Quando viajo compro um caderno novo. Levo canetas, lápis, fita-cola e vai crescendo esse objecto/livro/mala de registos diários num tempo e num espaço diferentes e especiais.

No fim acabam e começam outros, mas ficam sempre lá, para voltar a ver, ler e consultar.