Anselm Kiefer. Alemanha. 1945. Artista Plástico

IMAGENS
 

Extracto do livro Anselm Kiefer. Daniel Arasse editado por Thames & Hudson. Londres 2001

tradução livre do inglês

Os livros de Kiefer não acompanham só a sua arte como notas de rodapé ou comentários. Eles têm uma posição central na sua obra quer como cruzamento e lugares de encontro para outros trabalhos (como instalações, performances, pinturas, esculturas, etc.), quer como um berço para futuras criações ou trabalhos antigos.

Eles têm sido uma parte principal da sua actividade desde 1968. Só em 1969 ele produziu 16 volumes sobre uma variedade de temas. Aparte duas interrupções de 70-74 e ainda de 82-87 todos os anos aparecem novos livros de acordo com um ritmo variado ou como objectos únicos ou em séries. O livro de artista era um fenómeno perfeitamente comum na década de 60 sobretudo para artistas conceptuais para quem ele era uma ferramenta importante, ou na crítica de novas ideias, ou sobre o valor cultural de trabalhos de arte ou sobre o mercado da arte ou sobre a posição dos artistas na sociedade ou tantos outros assuntos.

(…) a “mensagem” de Koll Visiting Kiefer está intimamente ligada com a de You Are a Painter do mesmo ano: dentro de uma capa mostrando uma fotografia da estátua de Mathias Grunewald pelo escultor nazi josef Thorak, o livro mostra soldados lutando em cima da suja mesa do estúdio – uma imagem que mostrava uma das questões que preocupava Kiefer naquela altura: como se pode ser artista na Alemanha depois da exploração da arte feita pelos nazis? É nos seus livros que Kiefer, mais claramente, expressa a sua opinião de que a atitude exclusivamente artística dos minimalistas americanos e a “crítica institucional” na qual a arte conceptual se move, são assuntos relativamente pouco importantes.

(…) a função dos livros, que podem ser vistos e lidos como tal, são feitos para serem lidos visualmente e a sua progressão é planeado com interesse específico no modo como “a mensagem” do livro é apreendida. No entanto, ao mesmo tempo, os livros são objectos com presença material que é significante por si só.

(…) Estes livros são inseparáveis de todo o processo criativo de Kiefer (…) Eles também têm o estatuto de criações experimentais que por vezes retrabalham ideias que tinham aparecido primeiro em pinturas e que eles próprias tiveram efeito em trabalhos a serem realizados ou ainda por aparecer.

(…) os livros alteram as maneiras como os temas são tratados nas pinturas, retomando motivos já usados nas imagens dos livros, ou dando origem a novos temas dentro da obra pintada. Os livros são um lugar em que os pensamentos e as inter relações do trabalho público de Kiefer são desenvolvidos num registo privado. Eles tinham fotografias de instalações que foram originalmente criados com uma intenção específica e as desenvolvem em direcções diferentes e por vezes imprevisíveis. A sua natureza discursiva ou narrativa é também uma chave para o facto das grandes pinturas não serem estritamente “alegorias falantes”, mas o que pode ser chamado de representações dramáticas de conceitos. Os livros são o labirinto privado de Kiefer, animados no coração do maior labirinto que é a totalidade do seu trabalho.